segunda-feira, 4 de julho de 2011

Permita

Quando era mais jovem, pensava que tinha minha própria chave.
Eu apenas sabia exatamente o que queria ser, agora eu tenho certeza.
Você tem entrado em todas as portas, anda vivendo em uma bolha, sobrevivendo em dias dias nunca acabam.
Eu não me preocupava no que a vida daria, minha fantasia era real.
Agora eu sei bastante sobre o que eu sinto.
Olho teu retrato, porque você é linda, não por você não estar aqui, apesar de querer muito que isso aconteça.
Eu nunca vi a tal "chave" para a porta, mas uma vez me disseram que a gente só consegue aquilo que a gente quer, e eu quero você.
Enquanto eu vivo, os pesadelos que tenho duranta a noite, quando falo com você, desaparecem.
Enquanto eu vivo, os sonhos que tinha quando criança, se te imagino comigo, se realizam, na eternidade de um milésimo de segundo, que, diga-se de passagem, sem você por perto, é eterno.
A vida tinha mudado para outra direção, eu cheguei a pensar que seria melhor. 
Mas não pode ser melhor, nada pode ser sem você por perto.
Ouço uma voz dizer "sonhe isso enquanto pode". E eu obedeço, simplesmente.
Talvez algum dia eu faça você entender.
É fato incontroverso os sentimentos imensuráveis.
Imensurável também era tudo que vinha agregado ao fato de sentir algo que não cabe no peito. 
A orquestra foi perdendo, aos poucos, seus membros mais importantes, até que o desfalque era tamanho que me feria os ouvidos. Uma desafinada sinfonia, sem melodia nem cadência, conduzida por um maestro que não está mais lá. 
Hoje minha filarmônica ensaia um movimento diferente, que eu tento chamar, mas não consigo, de distração. 
Uma grande orquestra tocando uma pequena canção.
Ás vezes, perdemos a noção de que cada minuto da nossa vida pode ser o derradeiro, de que cada ligação telefônica pode ser a última, bem como aquela pessoa, de quem você ainda não sabe se gosta, pode ser o sua última chance de ser feliz.


“Hoje o tempo voa, amor
E escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte, amor



Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir!”





Permita-se. Vamos nos permitir. (:

Again!

Talvez não caiba a mim encontrar a resposta. Acredito que ela escapou pelos meus dedos desatentos, não está ao relento entre o meio-fio, as pessoas e os carros, não se esvaiu junto às memórias de uma noite mal dormida. Me corrói os neurônios considerar a possibilidade de que talvez nunca tenha, na real, existido a resposta que tenho procurado. Me impede de respirar a constatação daquelas coisas que, mesmo quando certamente prováveis e esperadas, eu – ingenuamente –  negava até o fim que fossem acontecer:

As piores verdades são aquelas que parecem mentira.

Mas então, o que é a realidade, se não tudo aquilo em que acreditamos, se tudo aquilo, de repente e simplesmente, não existe mais? As idéias mudam, as verdades mudam, e as tuas o fazem numa velocidade que acredito que jamais alguém seja capaz de acompanhar. Justamente, por medo disso, tratei de despir meus sentimentos de esperança. No entanto, as conversas, mesmo nuas de significado, mesmo essa situação, ceticamente analisada com a frieza de um cirurgião, teimavam em rabiscar sorrisos na minha - idiota - cara. Sorrisos que não saíam com água, frio ou seja lá com o que fosse. Mesmo assim, tenho vivido, literalmente, "um dia-após-o-outro", tentando pouco adornar os dias com os meus costumeiros exageros, que você conhece bem. E como dizem, "é difícil manter os pés no chão enquanto a mente voa."

Talvez a análise seja que inexista qualquer tipo de "semente" capaz de disseminar alguma espécie de sentimento em você, ou que a credibilidade que um dia me foi útil, hoje tenha me abandonado, por puro e completo merecimento.  Ironicamente, prefiro acreditar que uma ideia idiota dessas, trata-se de um bobo conceito hipotético. Uma ideia que inspira, que motiva, que estufa o peito através de um brusco sopro do mais puro nada. Uma ideia de que seria possível recomeçar. Você é, em essência, uma isca que eu, mesmo após fisgado sucessivas vezes, sigo mordendo, constantemente e com convicção. E eu mordi mil vezes e vou morder outras duas mil, justamente por acreditar na ínfima chance de – somente por mais uma vez – ter você de volta, e acreditar que aquilo tudo não foi uma mentira.

As piores mentiras são aquelas que parecem verdade.

Ainda é você.     


Feliz 05 de julho